Eliane Marques (2009, poemário, autoria negra)
O projeto poético de Eliane Marques se constrói a partir de uma relação com a língua portuguesa que consiste em “tirar leite das pedras”, estando a poeta interessada nas pedras, não no leite. Ou seja, de um idioma marcadamente “leitoso”, melodioso (como o tendem ser os idiomas neolatinos) retirar uma sonoridade pedregosa, mais próxima do percussivo. Seu livro de estreia, Relicário, marca o início desse projeto com uma linguagem sucinta, sem pontuação e marcada por substantivos. A morte, tão presente no imaginário do livro, é purificada de sua espiritualidade para tornar-se morte material, morte em vida e morte para os vivos. As referências culturais amefricanas se entremeiam com gregas e europeias modernas de forma palpável e dinâmica.